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Pesquisadoras do GEPEH/UFMS Discutem Censura ao Livro O Avesso da Pele

Atualizado: 13 de nov. de 2024


Recentemente, o governo do Mato Grosso do Sul decidiu censurar e retirar das escolas estaduais o livro Avesso da Pele, do autor Jeferson Tenório. A obra, que explora as experiências de vida e as questões raciais enfrentadas por uma família negra no Brasil, foi considerada inadequada por setores conservadores que alegam conflito com valores defendidos pelo governo. Esta medida, que suscitou grande polêmica, levou à mobilização de grupos acadêmicos e sociais em defesa da liberdade de expressão e do combate ao racismo.



O evento, intitulado "Debatendo a Censura ao Livro O Avesso da Pele", ocorreu no dia 27 de maio de 2024, no anfiteatro Marçal de Souza da UFMS, e contou com a presença de convidados que são referências no campo da história, da educação e do ativismo. Entre os participantes estavam a Profa. Dra. Maria Lima (GEPEH/UFMS-FAED), Cristiane Oliveira (Estudante de História e militante do Movimento Negro) e o Prof. Dr. Lourival dos Santos (UFMS-NEABI). O debate foi promovido pelo Grupo de Estudos de Política Intenacional (GEPI/UFMS - @gepiufms), coordenado Prof. Dr. Samuel de Jesus (UFMS-FACH), com apoio do Centro Acadêmico de História Lélia Gonzalez. 


Foto: Acervo GEPEH


Durante o debate, a Profa. Maria Lima trouxe uma análise aprofundada, destacando como a censura ao livro O Avesso da Pele representa uma tentativa de controle sobre as narrativas e identidades que são legitimadas no espaço escolar demonstrando que  a construção de hegemonia ocorre quando determinados significados se estabilizam como "verdades" universais, marginalizando outras vozes e realidades. A censura do livro, portanto, não se trata apenas de um ato de supressão de uma obra literária, mas de uma tentativa de consolidar uma hegemonia que ignora e silencia experiências e vivências negras.



Para a Profa. Maria Lima, o espaço escolar deveria ser um terreno de disputa democrática, onde múltiplas identidades e memórias têm a oportunidade de se expressar e de serem reconhecidas. Ela argumentou que retirar O Avesso da Pele do currículo é uma forma de limitar a capacidade dos alunos de questionarem e entenderem a complexidade das relações raciais no Brasil, consolidando, assim, uma visão de mundo que favorece uma narrativa única e excludente.



Cristiane Oliveira, membro do GEPEH/UFMS e militante do Movimento Negro e participante do debate, reforçou essa visão ao defender que manter obras como O Avesso da Pele nas escolas é essencial para a criação de um espaço educativo plural, onde alunos possam confrontar diferentes histórias e realidades sociais.



Encerrando o debate, o Prof. Lourival destacou a urgência de se posicionar contra o avanço do conservadorismo em Mato Grosso do Sul. A censura ao Avesso da Pele reflete uma tendência de silenciamento e controle sobre o que pode ser discutido nas escolas. É fundamental defender o espaço educacional como um lugar de diversidade e crítica, onde seja possível questionar, refletir e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.




Foto:

Acervo GEPEH

 
 
 

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